segunda-feira, 28 de junho de 2010

O escuro

Eu compartilho uma delicada relação contraditória de amor e ódio com o escuro. Não estou falando daquele escuro que se vê quando se anda na rua a noite depois da escola, eu falo sobre o escuro que existe no seu quarto totalmente trancado as três e meia da manhã, um escuro tão grande que se apodera de todas as cores, todas as dimensões e todos os sentidos. Nestas condições não se existe mais aqui e ali, somos consumidos por uma estranha sensação de flutuar no vazio do espaço.
E é neste momento que entramos em total contato com nós mesmos, nos deslocamos completamente do mundo externo, perdendo qualquer noção de material, para um universo interno onde temos contato direto com os nossos sentimentos e idéias por mais reclusos que eles sejam.
São nestas horas que minha mente se abre e de calorosas discussões com ela brotam grandes idéias dos mais variados tipos. Mas no meu caso é diferente, eu não só não consigo controlar o que sinto como também não sou capaz em mandar na minha mente e isso faz com que briguemos bastante nestes momentos de solidão e quando brigamos minha mente se mostra tomada por sentimentos e em momentos de revolta cospe realidades cruéis e dolorosas das quais muitas vezes eu não havia sido capaz de perceber antes ou tentava esconder para tenta tampar feridas, mas sobre descontentamento minha mente reage como uma criança com raiva e me insulta com duras palavras que fazem com que eu entre em desespero, um estado de euforia toma conta do meu peito e eu tento de todas as formas fazer com que este vinculo seja cortado e que minha mente volte a se calar, ou que eu me torne surdo para os meus próprios pensamentos.
A Exposição direta ao meu eu interior pode me causar vários efeitos colaterais que vão desde criativos textos a crises de choro compulsivo passando por breves surtos as vezes eufóricos outras vezes depressivos.

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